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O CONCEITO DE CANTAR BEM

Volta e meia me perguntam se um determinado cantor canta bem. Alguns chegam até a dizer: ” Eu acho que ele canta bem, mas como não entendo nada dessa área, gostaria que você me dissesse se ele canta bem mesmo”. A minha impressão é que eles querem que eu, por prestar Consultoria Vocal, dê o aval para que eles gostem e admirem alguém. A resposta é simples: se este cantor consegue emocioná-lo então, ao menos neste aspecto, ele canta bem.

Para entendermos melhor o que é cantar bem, proponho discutir as habilidades do cantor em 3 áreas distintas: Técnica, Musicalidade e Expressão.

Tecnicamente falando, canta melhor quem possui domínio da voz e canta sem esforço, dominando toda a técnica vocal como, por exemplo, ter controle de suporte, de tons diretos, e com vibratos, trinados e cores vocais, dicção eficiente etc…

Em suma, quem tem domínio do “seu instrumento” e, através de uma boa coordenação neuro-muscular, consegue  até brincar com a voz.

Musicalmente falando, canta melhor quem tem boa memória melódica, quem consegue cantar afinado, no tempo certo, com fraseado adequado ao estilo, incluindo blue notes, licks, ritmo swingado, sincopado e todos os recursos de improviso vocal. Às vezes, a pessoa é extremamente musical, mas apresenta problemas  técnicos, como emissão  soprosa, contração dos músculos da garganta etc. É interessante ver que muitos músicos que vêm me procurar, normalmente pensam que não podem cantar tão bem como um cantor, uma vez que eles já são músicos. Isto é bobagem. O que você – músico aspirante a cantor –  deve entender, é que já possui, naturalmente, uma musicalidade mais desenvolvida. Ou seja, já está à frente de muitos “leigos” que iniciam seus estudos no canto. Portanto, ESTUDE CANTO sem medo! É importante lembrar que ser um músico/ cantor pode ajudá-lo profissionalmente no processo de composição e no mercado de trabalho. Sabia que, nos EUA, um músico que canta pode ganhar mais?

Expressivamente, canta melhor quem consegue emocionar sua platéia, quem consegue transferir toda a emoção contida na letra e nos sons da música. Isto está muito menos atrelado à música, e sim ao repertório emocional de cada um, com a sensibilidade emocional e toda a bagagem adquirida no decorrer de nossas vidas. Muitas vezes, a voz do cantor é ruim e não muito afinada, mas ele emociona as pessoas e, na minha opinião, pode ser considerado um bom cantor. Na Idade Média, tínhamos os BARDS – ingleses que eram como bobos-da-corte e cantavam contando uma estória, em troca de comida. Caso emocionassem e convencessem a platéia ganhavam, em troca, um prato de comida. Alguns tinham vozes ruins e desafinadas, mas contavam a estória com tanta paixão e emoção que conseguiam seus intentos.

Minha conclusão final é que as pessoas que conseguem unir essas três habilidades podem ser consideradas excelentes cantores. Porém, aquele que consegue ser bom em, ao menos, alguma das áreas já pode ser considerado um bom cantor.

Barbra Streisand, Rachelle Ferrell e Stevie Wonder, dentre outros são, em minha opinião, alguns cantores que conseguiram um bom balanço entre técnica, musicalidade e expressão.

IMPORTANTE!

– A expressão pode ser muito subjetiva. Diversas vezes vamos assistir a um show que acabamos detestando, enquanto alguns choram de emoção! Quem tem razão?

– Nem tudo o que soa bem está certo tecnicamente, como quando ouvimos uma voz e dizemos: “como ele canta bem”. Na verdade, precisamos ver se a maneira desse cantor utilizar a voz  é saudável,  tecnicamente falando.

Como exemplo, posso citar o coral “das Vozes Búlgaras”, que o New York Times mencionou em sua crítica como sendo simplesmente “a música mais bonita do mundo”. Em entrevista recente, seu regente esclareceu que o motivo pelo qual havia um rodízio de cantoras a cada 2 ou 3 anos, é que a maneira de cantar com muitos gritos e forçando a voz de peito desgastava muito as cantoras após um certo tempo. Concluímos, a partir disso, que o som pode ser muito agradável em timbre, expressão e musicalidade, mas pode ser muito prejudicial à saúde vocal.

– Quanto à imitação de outros cantores – o famoso COVER – é simples: pode ser a melhor e a pior das coisas. Musicalmente, é a melhor das coisas, pois aprendemos estilos diferentes, fraseados ricos e maneiras diferentes de cantar, que só enriquecem e ajudam no desenvolvimento de nosso próprio estilo. Por outro lado, tecnicamente, pode ser a pior das coisas, pois a voz que estamos copiando pode não ter nada a ver com a nossa, em termos de tessitura ou região de notas que conseguimos cantar de forma natural, trazendo prejuízos à nossa saúde vocal. Minha sugestão é: primeiramente tente mudar o tom (até 1 tom, o público não percebe muita diferença e, se não houver problemas na execução, pode ser uma boa alternativa).  Caso 1 tom não seja suficiente, faça um cover somente da música e não do arranjo, modulando o quanto quiser, e montando um arranjo que represente a sua leitura da música.

Se não quiser mudar a tonalidade e não puder cantar por problemas técnicos, não tenha dúvida: NÃO CANTE.

Tive um aluno que cantava covers do Van Halen, cujo vocalista Sammy Hagar atingia notas muito agudas, e ele reclamava muito do desconforto em cantar daquele jeito. Como percebi que teria que modular, ao menos, uma 4j abaixo para soar mais natural, sugeri que buscasse no Heavy Metal algum cantor cuja voz fosse mais parecida à dele, em termos de região, e citei Ozzy Osbourne do Black Sabbath.  Ele aceitou minha sugestão e, tempos depois, comentou que as pessoas tinham elogiado muito sua performance cantando Ozzy, dizendo que sua voz estava bem diferente! Na verdade, será que a voz não estava era bem natural?

Bom, espero ter ajudado um pouco em suas pesquisas musicais.

Confiança e trabalho sempre!

Paulo Brito
Coordenador pedagógico da escola Voice 

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